CAMPONESES ASSENTADOS, QILOMBOLAS E POVOS E INDÍGENAS DO MARANHÃO SÃO DESRESPEITADOS PELO GOVERNO FEDERAL


Por ocasião da última ocupação da sede do INCRA – MA, dos dias 25 de agosto a 01 de setembro deste ano, o presidente do INCRA Nacional, Celso Lacerda, assumiu o compromisso de vir ao Maranhão hoje, dia 30 de setembro, para apresentar um plano de trabalho do órgão no estado.
Infelizmente, na noite de ontem, dia 29 de setembro, segundo o superintendente do órgão no estado José Inácio Sodré Rodrigues, o presidente do INCRA Nacional informou que não viria a audiência no Maranhão, com nós assentados, acampados, quilombolas, indígenas.
Essa atitude do governo federal demonstra seu descaso com a política agrária, com a titulação e a garantia do direito das famílias que atualmente ocupam os territórios de povos indígenas. O fato é, também, mais uma demonstração de submissão deste mesmo governo federal, ao autoritarismo e desmandos da máfia do Sarney, o velho oligarca, recentemente vaiado durante o festival de rock, no Rio de Janeiro.
Como foi dito hoje pela manhã no auditório do INCRA, toda esta situação é uma molecagem e um profundo desrespeito com todos nós por inúmeras pessoas que saíram de suas casas, para um encontro marcado há um mês. O que também é grave é o fato do superintendente do INCRA, José Inácio, dizer, em alto e bom som, diante de um auditório lotado, que o Maranhão “é discriminado pelo governo federal”. Enquanto o INCRA não se entende (permanecendo sob a pressão da oligarquia local) o povo segue sendo assassinado em diferentes regiões do Maranhão.

Moquibom – Movimento Quilombola (Moquibom)
Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST)
Movimento Indígenas

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28% das mulheres assassinadas no país morrem em casa


Mariana Desidério, de São Paulo

O ambiente doméstico é cerca de três vezes mais perigoso para as mulheres do que para os homens. Dentre as mulheres assassinadas no país, 28,4% morreram em casa. O número é quase três vezes maior do que a taxa entre os homens, de 9,7%.
As informações são do Anuário das Mulheres Brasileiras 2011, compilação de dados sobre a situação da mulher no país divulgado em julho pela Secretaria de Políticas para Mulheres do governo federal e pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Os dados sobre o local de morte em assassinatos são de 2009.
A residência é o segundo local mais “perigoso” para as mulheres. De acordo com o anuário, as mortes por assassinato de mulheres ocorrem em primeiro lugar na via pública (30,7% dos casos), em segundo lugar em casa (28,4%) e em terceiro lugar no hospital (23,9%).
No caso dos homens, quase metade das mortes por assassinato ocorre nas ruas (46,4%). O hospital responde por 27,7% dessas mortes e a residência, por 9,7%.
Os dados mostram também a relação entre o local das mortes por homicídio e o estado civil da vítima.
Entre os homicídios em que as vítimas são viúvas, 41,7% das mortes ocorrem em casa. No casos dos homens, a taxa é de 30,9%.
No caso dos assassinatos em que as vítimas são casadas, 39,7% das mortes ocorrem em casa. O número entre os homens é de 14% –uma proporção de cerca de três mulheres para um homem.
Dentre os homicídios de mulheres separadas judicialmente, em 36,1% do casos as mortes ocorrem em casa. No caso dos homens o número é de 19,2%.
Já entre as solteiras, 24,8% das assassinadas morrem em casa, contra 8,4% no caso dos homens.

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
De acordo com informações do anuário, quatro em cada dez mulheres brasileiras já foram vítimas de violência doméstica. Os números sobre a violência doméstica são da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2009, feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
De acordo com a Pnad, 43,1% das mulheres já foram vítimas de violência em sua própria residência. Entre os homens, esse percentual é de 12,3%.
Ainda segundo os números da Pnad de 2009, de todas as mulheres agredidas no país, dentro e fora de casa, 25,9% foram vítimas de seus cônjuges ou ex-cônjuges.

DENÚNCIAS
A Central de Atendimento à Mulher, serviço que atende queixas de violência doméstica contra a mulher e esclarece dúvidas sobre a Lei Maria da Penha, recebeu 1.952.001 ligações em pouco mais de cinco anos de existência –entre abril de 2006, quando foi criada, e junho de 2011.
No período, foram 434.734 atendimentos sobre informações da Lei Maria da Penha (22,3% do total) e 237.271 relatos de violência, de acordo com a Secretaria de Políticas para as Mulheres. A Lei completou cinco anos no domingo (7).
Segundo a secretaria, 40% das mulheres que entraram em contato com o serviço convivem com seu agressor há mais de dez anos –em 72% dos casos, eles são casados com as vítimas.

APLICAÇÃO DA LEI
Em entrevista à Folha, a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes, afirmou que, apesar de avançada, a Lei Maria da Penha ainda não é plenamente aplicada no país.
Segundo a ministra, um dos desafios para a aplicação da lei é o reconhecimento de sua constitucionalidade no STF (Supremo Tribunal Federal). “Aguardamos ansiosamente o julgamento da Adin [Ação Direta de Inconstitucionalidade] para colocar um fim no debate doutrinário sobre a constitucionalidade ou não da Lei Maria da Penha”, afirmou.
Para ela, o reconhecimento da lei “pode dar celeridade aos processos e evitar que muitas mulheres que denunciam seus agressores venham a morrer antes do final do processo”.
Outro desafio, segundo a ministra Iriny Lopes, é o aumento da rede de proteção às mulheres, com a qualificação de profissionais e a criação de equipamentos como casas abrigo, delegacias especializadas e juizados especiais.

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/956164-28-das-mulheres-assassinadas-no-pais-morrem-em-casa.shtml

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A Bolsa Família dos Capitalistas

José Menezes Gomes (professor do DECON e do Mestrado em Desenvolvimento socioeconômico da UFMA e Doutor pela USP)

O dólar é nossa moeda: o problema é todo seu. Esta frase sempre serviu para indicar as vantagens de um país imperialista, no exercicio de sua politica monetária e fiscal, por ser emissor de uma moeda de aceitação mundial. Estas implicações para os demais países são grandes na “normalidade da economia”, e são mais agudas nos momentos de crise. O papel do dólar como moeda mundial facilita a rolagem de parte da dívida pública, já que parte das reservas cambiais administradas pelos demais bancos centrais acaba sendo destinada a compra de títulos do Tesouro dos EUA. Desta forma os demais países acabam pagando parte do ônus que deveria ser exclusivo do país emissor. O restante destes títulos é vendido para os grandes grupos capitalistas, seja bancos ou empresas industriais e fundos de Pensão nacionais ou estrangeiros.
Atualmente o Brasil é o quinto maior comprador de títulos da dívida pública dos EUA com mais de US$ 211 bilhões oriundos das reservas cambiais. Neste papel a China se destaca em primeiro lugar com US$ 1.159 bilhões. O Japão vem em segundo com US$ 912.bilhões. O Reino Unido vem em terceiro com US$ 346 bilhões. Em quarto temos os países exportadores de Petróleo com US$ 229 bilhões. O total de titulos dos EUA comprados pelos variados países chega US$ 4.514 bilhões e representa uma parte considerável do total dos US$ 14,5 trilhões. Este processo resulta do fato que os bancos centrais destes Estados nacionais que mantem suas reservas em dólar, comprarem titulos do Tesouro dos EUA. O teto de endividamento estadunidense já subiu 74 vezes nos últimos 50 anos.
Para entender melhor este processo vamos investigar o caso brasileiro. Segundo o Banco Central do Brasil as reservas cambiais brasileira chegaram a US$ 300 bilhões em fevereiro de 2011. Deste total 2/3 refere-se as chamada reservas estéreis, que derivam não de um superávit comercial mas de atividades que levam ao endividamento público. Assim, parte considerável das reservas brasileiras vem de um endividamento com taxa básica de 12,5% ao ano, enquanto recebe 1,9% ao comprar os títulos do tesouro dos EUA. Estima-se que o impácto para os cofres públicos no Brasil deste processo se aproxime de R$ 50 bilhões ao ano. Este montante fica um pouco abaixo dos R$ 65 bilhões previstos para gastos com saúde pela União, previstos para 2011. Ou seja, esta terceirização dos custos da política monetária dos EUA, para conter os efeitos da crise capitalista é prejudicial a saúde publica no brasil. Vale lembrar que no brasil estar orçado não significa que será executado no final do ano.
Muito se falou neste momento do risco de calote da dívida americana caso o teto para dívida não fosse alterado neste momento.Todavia, este pais já foi protagonista do maior calote da historia econômica mundial no dia 15 de agosto de 1971. Naquele momento o presidente Richard Nixon anunciou que não iria mais honrar o compromisso de trocar dólares pelas reservas em ouro, principio fundamental do acordo de Bretton Woods. Com isto, o Tesouro estadunidense era obrigado a trocar os dólares em poder de qualquer país por ouro, à taxa oficial de US$ 35 a onça (unidade de cerca de 33 gramas). A partir dai tem início a crise do dólar com grande desvalorização e introdução do câmbio flutuante. Naquele momento, eles tinham o equivalente a US$ 14 bilhões em ouro em seus cofres, enquanto os governos estrangeiros dispunham de cerca de US$ 300 bilhões em reservas.
Em seis anos a dívida daquele pais saiu de US$ 3,7 trilhões em 1997, para US$ 3,9 trihões em 2003, crescendo 5,6%. Mais a frente, em apenas três anos está dívida saltou de US$ 5,8 trilhões em 2008, para US$ 14,2 trilhões crescendo 150%. Grande parte deste endividamento, no período de 2003 a 2011, se deve aos gastos com os efeitos das crises capitalistas de 2000 – 2002 e da crise de 2007 – 2008, somados aos gastos com a invasão do iraque e Afeganistação. Neste periodo a expansão da dívida estadunidense chegou a 270%, enquanto a expansão do PIB e das receitas são pífios, mesmo com a aceleração dos gastos militares. Em 2010 a dívida era de US$ 9,0 trilhões, saltando para US$ 14,5 trilhões com crescimento de 61%. A aprovação da elevação do teto de endividamento dos EUA para mais US$ 2,1 trilhões revela que os problemas da economia mundial não estão resolvidos, mas amplificados. Segundo resultado da primeira auditoria integral do Federal Reserve (Fed) feito pelo Escritório Governamental de Prestação de Contas, foi descoberto gigantescos empéstimos secretos que chegaram a US$ 16 trilhoes, o que pode levar a um endividamento ainda maior1.
Mesmo com todo este dispêndio de dinheiro público a eficácia desta política é bastante reduzida, já que o dólar continua em queda. Neste sentido o governo brasileiro lançou um pacote de incentivos fiscais para a industria, Brasil Maior, que vai desonerar a produção em R$ 25 bilhões no próximos dois anos. As medidas incluem a redução da alíquota de 20% do INSS de setores afetados pela queda do dólar, como confecções, calçados, móveis e softwares. O plano inclui devolução de impostos como PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social) para exportadores de manufaturados. Além disso, os 116 maiores exportadores do país terão atendimento acelerado dos pedidos de ressarcimento. De um lado o governo subsídia os exportadores com renuncia fiscal que acabará reduzindo as receitas da União. Do outro lado, continua tomando recursos a 12,5% para rolar a dívida pública, enquanto libera recursos aos grandes capitalistas a taxa de 6% ao ano, o que representa uma transferência de R$ 20 bilhões ao setor privado ao ano. Este é o valor do orçamento das Universidades federais para 2011.
Quanto maior é a fatura da crise capitalista mundial maior é a pressão por cortes das despesas sociais, que acabam por recair sobre os serviços públicos e por sua vez sobre os servidores públicos. É chegada a hora dos trabalhadores não permitirem que o dinheiro público seja usado para salvar os grandes capitalistas e fundos de Pensão.

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Minoria surda que estuda sai de sala especial para regular

Censo Escolar mostra que matrículas em classes comuns cresceram 30% em dois anos, mas total de deficientes na escola é pequeno

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo

Isolados, os dados do Censo Escolar 2010 sobre os estudantes surdos são animadores: três quartos dos matriculados estavam incluídos em classes regulares, um aumento de 30% em relação a 2008. Quando comparados aos dados da população brasileira com deficiência auditiva como um todo, no entanto, os mesmo números mostram que os surdos estão longe de estar incluídos no sistema escolar.
A maior parte do crescimento de matrículas em escolas comuns representa uma diminuição dos estudantes em instituições especiais. Somados os dois tipos de ensino, o total de alunos surdos cresceu apenas 6% nos últimos dois anos e chegou a 70 mil. 
A última contagem do IBGE conhecida sobre o assunto, do Censo 2000, mostrava que 5,7 milhões de brasileiros eram deficientes auditivos, 357 mil apenas na faixa etária de 5 a 14 anos – em que todos deveriam ser estudantes. Se o número for parecido em 2010, apenas um quinto destas crianças e adolescentes vão à escola ou são percebidos como – e recebem tratamento especial para – deficientes auditivos.
Para a professora e assessora da diretoria do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), Rita Nacajima, as escolas precisam ser mais atraentes para essa população. A instituição de mais de 150 anos de história chegou a ser contrária à inclusão por achar que os deficientes auditivos não aprenderiam em classes com alunos ouvintes, mas acabou apoiando a política na esperança de expandir o total de pessoas atendidas. “A gente entende o movimento de inclusão como necessário porque o Ines e todas as outras instituições especializadas não têm como dar conta de todos os surdos. Agora, é preciso trabalhar mais a recepção deste aluno na escola”, diz.
A barreira que separa a maioria dos surdos da vida escolar é a língua. Sem ouvir, a maioria não fala e a escrita não ganha significado. Em 2002, o Brasil oficializou a Língua Brasileira de Sinais (libras) para que estas pessoas falassem com as mãos. A língua é completa e permite a quem tem interlocutor o pleno desenvolvimento de todas as demais habilidades. Faltava quem traduzisse a linguagem oral da sala de aula para a visoespacial, que pode ser compreendida por eles.
Um decreto de 2005 estabeleceu que os “tradutores” viriam de duas formas. Pela aprovação em prova de proficiência anual em libras – aplicada a pessoas que já utilizavam a língua de sinais em outras atividades – e pela formação de educadores especializados. Segundo o Ministério da Educação, desde então já há 4.683 intérpretes de Libras atuando na educação básica, que abrange o ensino fundamental e médio.
“O problema é que não basta traduzir”, diz Rita. Como a maior parte das crianças surdas tem pais ouvintes, a Libras só é ensinada quando começam a frequentar escolas próprias. “Para aprender, as pessoas levam o mesmo tempo que para se comunicar em qualquer língua e, até então, não adianta traduzir de uma língua que eles não entendem para outra que ainda não sabem também”, explica.
As entidades reconhecem que houve algum avanço. Dados da Federação Nacional das Associações para Valorização de Pessoas com Deficiência (Fenavape) mostram que o número de surdos no ensino superior passou de mínimos 444 em 2007 para 1.895 em 2009. Muitos cursam carreiras de docência e devem se tornar professores tanto de surdos quanto de ouvintes. “O mesmo esforço que hoje um aluno que não houve faz para entender as estratégias dos ouvintes deverá ser necessário para os ouvintes entenderem o professor surdo”, calcula Rita, completando: “e isso será a outra metade da inclusão.”

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/minoria+surda+que+estuda+sai+de+sala+especial+para+regular/n1597119749750.html

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Bolsa X Aprendizagem

Estudo da FGV mostra que Bolsa Família e Renda Mínima não melhoram desempenho de alunos em São Paulo

ANTÔNIO GOIS e RODRIGO RÖTZSCH, DO RIO

Em todo o mundo, programas como o Bolsa Família -que transferem renda para famílias pobres ao mesmo tempo em que exigem frequência à escola- têm se mostrado eficientes para aumentar a matrícula e diminuir a evasão. Quase todos, no entanto, apresentam a mesma limitação: têm pouco ou nenhum impacto no aprendizado dos estudantes.
No Brasil, um dos primeiros estudos a investigar a relação entre o Bolsa Família e o aprendizado acaba de ser apresentado na FGV pelo economista Rogério Bianchi Santarrosa. Ele mostrou que o impacto sobre o aprendizado de estudantes paulistanos do Bolsa Família e do programa municipal Renda Mínima -que também exige como contrapartida frequência escolar -, em português e matemática, foi nulo.
Em outras palavras, alunos beneficiados por esses programas, quando comparados com outros de mesmo perfil socioeconômico, têm desempenho pior ou semelhante. Receber ou não o benefício, portanto, não faz diferença no aprendizado.
EVITAR A EVASÃO
André Portela Souza, professor da FGV que orientou o trabalho de Santarrosa, lembra, no entanto, que é preciso considerar que muitos dos alunos mais pobres poderiam estar fora da escola se não fosse o benefício. São crianças provavelmente com maior dificuldade de aprendizado e menor apoio dos pais, que continuam a estudar porque as famílias não querem perder o benefício.
Na avaliação de Santarrosa, programas como o Bolsa Família não podem ser responsabilizados pelo fato de os alunos beneficiados terem desempenho inferior em testes em relação aos demais.
“Por causa desses programas, crianças de famílias mais pobres estão estudando mais, e as que tradicionalmente não estavam na escola passam a estar. Neste ponto, essas políticas são bem-sucedidas”, afirma.
MAIS QUALIDADE
Ele argumenta, no entanto, que é preciso ir além, e pensar não apenas em quantidade, mas, também, em qualidade. “É nesta dimensão que o programa não tem tido impacto. Para melhorar a qualidade da educação dessas crianças, é preciso pensar ou num outro tipo de política pública ou num desenho melhor desse tipo de programa”, diz.
Ele sugere a adoção de projetos-piloto em menor escala para testar maneiras de promover essa melhora de rendimento. Entre os caminhos possíveis estariam: oferecer uma bonificação extra por desempenho; exigir que as crianças permaneçam em tempo integral na escola ou investir em aulas de reforço.
O trabalho de Santarrosa é restrito à cidade de São Paulo, com base nos resultados da Prova São Paulo entre 2007 e 2009, mas as conclusões são semelhantes a estudos realizados em países como México, Equador, Colômbia e Camboja.
Fernando Reimers, pesquisador da Universidade Harvard e autor de um relatório da Unesco crítico aos impactos na educação dos programas de transferência de renda, argumenta que o incentivo financeiro gera uma pressão para que as crianças fiquem na escola, mas não resolve o problema da baixa qualidade da educação.
O que muitos autores de estudos que investigaram aprendizado discutem é que, se esses programas se propõem a atacar a pobreza no longo prazo garantindo que uma nova geração tenha melhores indicadores educacionais, não basta apenas estimular o acesso à escola.
“Hoje, independentemente da qualidade do estudo, se uma pessoa concluir o ensino médio, mesmo sem um aprendizado efetivo, é de esperar que tenha um salário maior, por causa do efeito-diploma. Então há um ganho, mas é um ganho limitado”, conclui Santarrosa.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saber/sb0808201101.htm

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Mercados perdem R$ 7 trilhões na pior semana em 3 anos

Corretor da Bolsa de Nova York lamenta durante mais uma semana difícil para os mercados

A turbulência dos últimos dias gerou perdas de pelo menos US$ 4,4 trilhões nas bolsas dos principais mercados do mundo

Agência Estado

A turbulência dos últimos dias gerou perdas de pelo menos R$ 7,02 trilhões (US$ 4,4 trilhões) nas bolsas dos principais mercados e marca a pior semana para o sistema financeiro em três anos. O temor de um default norte-americano, que se confirmou apenas na noite de ontem, e depois a ameaça de uma nova recessão mundial gerou a pior semana para os mercados acionários desde a quebra do Lehman Brothers, em 2008, quando foi deflagrada a crise financeira global.
Só nos Estados Unidos, a perda foi de cerca de US$ 1,8 trilhão no valor de ações, segundo cálculos da Bloomberg. Londres teve a quinta pior semana de sua história e a pior desde setembro de 2008. Pela primeira vez a Bolsa de Paris completou dez dias de queda. O Brasil também foi afetado. Na quinta-feira, a Bovespa registrou o pior resultado entre as 20 maiores bolsas do mundo.
Mesmo a bolsa da maior economia da Europa, a Alemanha, não ficou imune. As ações alemãs sofreram oito dias de quedas consecutivas, o pior resultado desde 1993. Na semana, as perdas foram de 12%. Desde maio, quando Frankfurt atingiu seu pico, as perdas já são de 17%.
A Bolsa em Londres fechou a semana com uma perda acumulada de 10% e prejuízo de 149 bilhões de libras esterlinas. A semana foi a quinta pior na história da bolsa britânica. Essa foi também a primeira vez que Londres registrou três dias de quedas acentuadas desde a quebra do Lehman Brothers, em setembro de 2008. Na França, Paris chegou a semana com 10,9% de perdas.
Só Carlos Slim, o homem mais rico do mundo, perdeu quase US$ 8 bilhões em apenas cinco dias. Seu portfólio perdeu 11% desde 29 de julho. A bolsa mexicana nesse período perdeu 7,4%, afetada pelas preocupações em relação à economia americana. Sua principal empresa, a America Movil, perdeu 6,9% nesta semana. No ano, a queda chega a 21%. Três de suas empresas serão retiradas da bolsa do México.
De uma forma geral, os bancos foram os mais prejudicados. Na Itália, as ações do Unicredit chegaram a ser suspensa da bolsa diante de suas perdas No Reino Unido, as ações do Royal Bank of Scotland sofreram perdas de 12%, depois que o banco divulgou prejuízos de mais de US$ 1 bilhão no primeiro semestre diante de sua exposição na Grécia. As perdas refletem nas contas do governo, já que 83% das ações do banco está nas mãos do Estado, que foi obrigado a resgatá-lo em 2008. Já o banco Dexia teve a maior perda de sua história: prejuízo de US$ 4 bilhões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

http://economia.ig.com.br/mercados+perdem+us+44+trilhoes+na+pior+semana+em+3+anos/n1597121926009.html

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Encontrado filme da época em que Hitchcock era aprendiz

Cena do filme mudo “The White Shadow” (1923), de Alfred Hitchcock

Jornal El País
Elsa Fernández-Santos, em Madri (Espanha)

Encontrado em um arquivo neozelandês um dos primeiros filmes de que o diretor inglês participou, considerado perdido há décadas
O enigma de um contrassenso, o de uma sombra branca, estava oculto há décadas em três velhas latas de filme de nitrato na Nova Zelândia. Sem dúvida um intenso efeito dramático, digno da fértil imaginação do jovem que, no início do século 20, embarcou em uma aventura para mudar o curso dos tempos: o cinema.
O embrião do gênio de Alfred Hitchcock (nascido em Londres em 1899; morto em Los Angeles em 1980) está em “The White Shadow” [A Sombra Branca], filme que o diretor de “Os Pássaros” escreveu, montou e desenhou em 1923. Mudo e em preto e branco, acreditava-se que não restasse vestígio dele. Hitchcock, então um faz-tudo, era também ajudante de direção do filme.
Um ano depois, quando foi demitido pelo diretor Graham Cutts, enciumado com o crescente brilho do principiante, ele teve a oportunidade de tomar o timão absoluto de um novo projeto, “O Jardim da Alegria”. Em suas célebres conversas com François Truffaut, Hitchcock reduziria a importância daquele ponto de inflexão em sua carreira: “Perguntaram-me se queria dirigir, e a verdade é que eu nunca tinha pensado nisso. E era verdade: estava muito contente escrevendo roteiros e fazendo direção artística”.
Obcecado por cada aspecto de seus filmes, pela integridade de seu trabalho, Hitchcock (“Esse homem, que filmou melhor que ninguém o medo, é por sua vez um medroso”, afirmou Truffaut) sentiu desde o início a necessidade de controlar todos os aspectos técnicos e criativos de seus filmes. Por isso, explica Annette Melville, encarregada da equipe de conservação de “The White Shadow”, “é apaixonante acompanhar sua pista nos 819 metros de filme resgatado. Neles está a semente de um estilo”.
“Hitchcock começou a participar de filmagens com 18 anos. Era o faz-tudo”, indica Ramón Luque, professor de cinema na Universidade Rey Juan Carlos e autor do livro de ficção biográfica “Hitchcock, un Mar de Soledad” [Um mar de solidão]. “Encarregava-se dos intertítulos e de tudo o mais. Absorveu o cinema de todos os pontos de vista. E não era verdade que não quisesse ser diretor. Ele dizia isso, mas mentia. Era uma pose; desejava que o diretor tivesse um reconhecimento artístico que então lhe era negado. Mas desde muito jovem teve dons de comando para solucionar qualquer problema, e por isso sempre encarou abertamente os realizadores dos filmes em que trabalhou.”
As latas de “The White Shadow” chegaram nos anos 1990 à Filmoteca da Nova Zelândia, doadas pelos herdeiros de um colecionador, temerosos da segurança daquele material inflamável. Provavelmente ignoravam que seu avô, um projecionista profissional chamado Jack Murtagh, obcecado pelos filmes antigos e por armazenar todo tipo de objeto, guardava as latas não só de um Hitchcock iniciante, como de um “western”, “O Sargento”, de 1910, e os restos de dois filmes de John Ford: “Strong Boy Trailer”, protagonizado por Victor McLaglen em 1929, e “Upstream”, de 1927.
Todas essas joias fundamentais foram restauradas e catalogadas pela equipe de pesquisadores da filmoteca da Nova Zelândia e a Fundação Nacional de Preservação de Filmes, organização americana dedicada a salvar seu patrimônio cinematográfico. Um de seus membros mais ativos e ilustres, o cineasta Martin Scorsese, explicou recentemente a importância de preservar esses filmes: “Com a perda de cada fotograma perdemos uma explicação sobre nossa própria cultura, sobre o mundo que nos rodeia, sobre os outros e, definitivamente, sobre nós mesmos”.
“Scorsese é um cineasta muito comprometido com nosso trabalho”, acrescenta em San Francisco Annette Melville. “Enviamos um especialista à Filmoteca da Nova Zelândia quando soubemos de seu acervo de cinema americano. Identificar esse filme afinal foi um trabalho de detetives. Levamos anos. O filme foi rodado na Inglaterra, mas como foi comprado por uma distribuidora americana, aparece como americano. Daí grande parte da confusão na hora de identificá-lo. Perderam-se as latas com os títulos de crédito e só apareciam identificadas com o nome da distribuidora, o da atriz principal e o título ‘As Irmãs Gêmeas’.”
A história de duas gêmeas, uma com alma e outra sem, ambas interpretadas por Betty Compson, faz parte dos balbucios cinematográficos de um diretor para quem o cinema mudo forjou grande parte de sua ousadia formal. Esses filmes eram rodados em seis semanas, e para o jovem Hitchcock o desafio estava em fazê-los com o menor número possível de intertítulos. Anos depois, famoso e desiludido, pregava que nas escolas de cinema só deveriam fazer exercícios mudos. Para ele, a imagem mandava nos filmes e o realismo ia por caminhos diferentes dos da vida. A emoção e a ação, dizia, têm seus próprios códigos em uma tela.
“Pedir a um homem que conta histórias que leve em consideração a verossimilhança me parece tão ridículo quanto pedir a um pintor figurativo que represente as coisas com exatidão. Há uma grande diferença entre a criação de um filme e a de um documentário. Em um documentário Deus é o diretor. Em um filme, o diretor é Deus, é ele quem cria a vida.”

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2011/08/06/quando-hitchcock-era-aprendiz.jhtm

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