A explosão do Cinema Negro


Alexandre Duarte

O Blaxploitation ficou conhecido como o gênero de cinema que mostrava os guetos negros dos EUA nos anos 70, levando para as telas de todo o país a maneira de eles se vestir, falar, ouvir música, enfim, toda a cultura negra na cidade grande e a forma de resistir a uma cena de repressão, segregação e racismo que vinha de longe
Esses filmes ganharam características próprias, eram dirigidos e interpretados por atores negros, tinham trilhas sonoras sofisticadas e fantásticas, compostas por alguns dos maiores artistas da época e abarcavam muito mais coisa do que se pode ver à primeira vista. “Os filmes blaxploitation geralmente têm um herói ou heroína afroamericano que atua à margem das instituições e da lei. Para vencer suas batalhas, o herói blax jamais recorre à polícia ou a qualquer outro aparelho governamental, mas sim a grupos de ativistas negros, como o Panteras Negras.
Nos filmes, nenhuma instituição oficial é confiável ou tem interess e legítimo pelo que se passa nas comunidades afroamericanas. Os problemas das comunidades negras só são resolvidos pela ação direta d os próprios membros de ssa comunidade” , explica o produtor cultural Zeca Azevedo, c olecionador de filmes do gênero.
Para ele, a origem do blaxploitation está lá atrás, nos acontecimentos que transformaram a vida dos afroamericanos no século XX, como o grande movimento migratório dos negros do sul segregacionista para os centros urbanos do norte, que também viviam em climas e gregacionista, porém, mais velado. A partir daí surgiram as grandes comunidades negras, mais tarde transformadas nos guetos retratados pelos criadores do cinema blaxploitation. O resultado desse êxodo foi o aparecimento da música antes do cinema negro. “A indústria musical, cujo principal produto, o disco, requer gastos de produção bem menores que os de um filme, saiu na frente e registr ou com sucesso as vozes negras desde o início. O blues e o jazz se tornaram rapidamente o esteio da indústria fonográfica norte- americana.
A presença das vozes afroa-mericanas nas rádios e nos aparelhos de reprodução de discos pelo mundo afora mostrou a capacidade dos artistas negros de ocupar grandes espaços na cultura industrial, mas a indústria cinematográfica decidiu, com pequenas exceções, ignorar a e xperiência social e o talento dos artistas negros durante cerca de 50 anos”, conclui Zeca.

UM NOVO FILÃO
Um anseio e uma pressão não declarados já pediam pelo aparecimento de um movimento que retratasse a sociedade afro-americana nas telas de cinema em uma cultura que adquiriu um domínio tão completo da arte cinematográfica. O surgimento da briga pelos direitos civis e o basta que a comunidade negra queria dar à segregação racial foram importantes para isso, um processo que começou nos anos 50, e só ganharia a tela de maneira definitiva em 1971.
Apesar de experiências anteriores com produções com diretores e elenco totalmente negros (o primeiro filme assim data de 1919 e se chama The Homesteader), foi a aventura pessoal empreendida pelo fotógrafo e ativista Melvin Van Peebles, que é considerado o marco zero do blaxploitation. A produção Sweet Sweetback’s Badaaasss Song reunia pela primeira vez todas as características que definiram o gênero: produção independente de baixo orçamento, tendo como personagem principal um anti-herói negro em conflito com o poder estabelecido. E claro, uma trilha sonora matadora do Earth, Wind and Fire. Para o músico Ed Motta, fã assumido deste tipo de filme, a coisa também tem outra fonte de origem.
“Acho que os próprios filmes definidos como exploitation, de diretores como Russ Meyer, que dirigiu coisas como Faster, Pussycat! Kill, Kill!, com suas cenas de violência, mulheres armadas, inspiraram o surgimento do blaxploiation”, diz Ed, mas concorda que Sweet Sweetback’s Badaaasss Song foi fundamental para que o gênero fosse aceito e assimilado. “Foi emblemático por ser progressista, o primeiro. Esses filmes mostravam a verdade dos anos 1970 dentro da comunidade negra, um retrato de seus costumes e hábitos. Eu já curtia a música e foi mais um contato com isso que eu era fissurado”.
A partir do filme de Melvin Van Peebles, e com a porta aberta graças às filas que o público formou nas portas dos cinemas para assistir a obra, a indústria cinematográfica percebeu que havia ali um nicho a ser explorado e abriu suas portas para que outras produções do mesmo estilo surgissem e a sequência de títulos se tornou longa, com filmes – alguns muito bons, outros nem tanto – surgindo na esteira dessa nova descoberta. Mas uma coisa que era quase unanimidade eram as ótimas trilhas sonoras que apareceram. “Claro que alguns filmes eram melhores que os outros, e esses se sustentam, tinham bons enredos e tudo mais. Nas trilhas foram as primeiras produções a darem chance para os grandes arranjadores de jazz e soul no cinema. Antes disso, só Quincy Jones havia aparecido. Esses filmes refletiam a importância da música nas comunidades negras”, conta Ed Motta.

MÚSICA VERSUS CINEMA
O choque entre as trilhas sonoras muitas vezes elaboradas, e a crueza de alguns filmes podem ter dado a muita gente a impressão de que as grandes estrelas dessas produções são as músicas, mas nem sempre é isso. Para Zeca Azevedo, os filmes se bastam, independentes das trilhas, ao registrar o modo de ser e das condições dos negros nos EUA. “Há um choque entre a sofisticação da música e o aspecto ‘rude’ de alguns filmes blax. Isso aconteceu porque os negros já atuavam com destaque n a in dúst ria f o nog ráfica há 70 anos ou mais, enquanto no cinema a existência de afroamericanos em posições de poder era muito recente.
Os negros norte-americanos tinham menos familiaridade com a linguagem cinematográfica do que com a musical. Talvez por isso tenham criado filmes com características muito particulares, distantes dos vícios narrativos de Hollywood.” Na lista de nomes que gravaram trilhas para esses filmes, está uma verdadeira enciclopédia da música negra norte-americana. Artistas populares de soul como James Brown (em Black Caesar), Marvin Gaye (em Trouble Man) e Edwin Star (em Hell Up Harlem) convivem com outros de jazz como Grant Green (em The Final Comedown) e J.J. Johnson (Cool Breeze). Entre as produções que se de staca ram nos anos seguintes, estão a trilogia Shaft, Shaft’s Big Score e Shaft In America, com o primeiro dele ganhando a que talvez seja a mais famosa trilha dentro do gênero, composta por Isaac Hayes.
Ed Motta se lembra da influência que essa música teve para ele. “Foi a primeira vez que ouvi uma guitarra com efeito ‘wah wah’, logo na música tema do filme. Eu vi todas essas produções, tomei contato com isso nos anos 80, nas sessões de madrugada na TV. Hoje tenho tudo o que consegui enc o ntr ar em DVD”, diz o músico, que ainda lembra que quando morou nos EUA, nos anos 90, precisava ir a bairros específicos para encontrar es ses filmes, muitas vezes não lançados oficialmente.

OUTROS TEMAS
Mas não eram só os temas policiais que o gênero abraçava. Tinha a comédia romântica Claudine, o drama com tema sério Bucktown, a comédia Car Wash, o musical Sparkle e até coisas mais polêmicas, como Superfly (com uma das mais famosas trilhas do gênero, composta por Curtis Mayfield) e The Mack (outra grande trilha de Willie Hutch), ambos com protagonistas imorais: um traficante e um cafetão. Mas poucos superam, nesse quesito, a produção Black Gestapo que, segundo Zeca Azevedo, é “uma obra que leva o revanchismo racial a extremos. Ver uma milícia negra usando uniformes e utilizando práticas nazistas é de revirar o estômago, mas com certeza se trata de mais uma das contradições da nação afro-americana”.
Mais uma marca de como o cinema blaxploitation conseguiu refletir sobre os conflitos da comunidade negra norte-americana, já que muitas dessas produções, ao mesmo tempo em que exaltavam a cultura da raça, também reforçavam alguns estereótipos. “O cinema trabalha com catarse, com projeção psicológica e com identidade social. Para um grupo que vivia (e em grande escala ainda vive) à margem da riqueza dos EUA, o cinema blaxploitation foi, ainda que de forma incipiente, um tipo de inclusão social”, conclui Zeca.

ASTROS E REFERÊNCIAS
Outro fator que contribuiu para essa afirmação negra ascendente foi o surgimento de novos astros, em um campo que ainda não existia. De repente, até mesmo as crianças se viam refletidas em alguns desenhos que mostravam a comunidade e os personagens negros, como os de Jackson Five e Globetrotters, fruto direto da conquista desse novo espaço visual. Estrelas como Pam Grier, atriz de Foxy Brown, Coffy e Sheba Baby , é uma delas, lembrada até hoje e protagonista do que talvez seja o último filme que conserva as características do gênero, Jackie Brown (1997), de outro fã famoso de blaxploitation, Quentin Tarantino.
“Esse é um dos melhores filmes de blaxploitation na minha opinião. Na época esses filmes eram vistos como inferiores, e o reconhecimento veio mais tarde justamente quando Tarantino chamou essas pessoas de novo para filmar. Também vi pela primeira vez em uma produção assim o ator Lawrence Fishburne (famoso pela trilogia Matrix) chamada Cornbread, Earl and Me”, lembra Ed Motta, que também lista Cotton Comes to Harlem e Cool Breeze, entre os seus favoritos.
Se hoje em dia existem atores e diretores negros de sucesso, em produções – grandes ou pequenas – mas representativas, muito se deve a esse cinema que forçou a aceitação de uma cultura marginalizada ao mostrar aos donos do poder que também era possível ganhar dinheiro fora dos planos estabelecidos. Ainda que seja difícil encontrar boa parte desses filmes no Brasil, alguns poucos podem ser achados. Vale, no mínimo, aceitar a dica de Zeca Azevedo e “explorar sem medo o universo das trilhas blax. Há mais recompensas do que decepções nessa aventura.”

http://racabrasil.uol.com.br/cultura-gente/156/artigo221157-1.asp

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Cubanos se preparam para guinada na direção do capitalismo

Quando Cuba legalizar a compra e venda de imóveis, os moradores esperam uma cascata de mudanças: preços mais altos, deslocamento em massa, impostos sobre propriedades e uma enxurrada de dinheiro de cubanos nos EUA e em outras partes do mundo

The New York Times
Damien Cave, em Havana (Cuba)

José é um ávido quase empreendedor com grandes planos para os imóveis cubanos. No momento, ele trabalha ilegalmente em trocas, colocando em contato famílias que desejam trocar imóveis e pagar um extra pelo que houver de melhor.
Mas quando Cuba legalizar a compra e venda no final do ano –como o governo prometeu novamente nesta semana– José e muitos outros esperam uma cascata de mudanças: preços mais altos, deslocamento em massa, impostos sobre propriedades e uma enxurrada de dinheiro de cubanos nos Estados Unidos e em outras partes do mundo.
“Haverá uma demanda imensa”, disse José, 36 anos, que se recusou a dizer seu sobrenome. “Está proibido há muito tempo.”
Propriedade privada é o núcleo do capitalismo, é claro, de modo que o plano para legitimá-la aqui, em um país de slogans como “socialismo ou morte”, é de cair o queixo para muitos cubanos. De fato, muitas pessoas esperam regulamentações onerosas e até já existe um plano traçado pela imprensa estatal, que reprimiria o mercado ao limitar os cubanos a uma casa ou apartamento, e exigindo moradia em tempo integral.
Mas mesmo com algum controle do Estado, dizem os especialistas, as vendas de imóveis poderiam transformar Cuba mais do que qualquer outra reforma econômica anunciada pelo governo do presidente Raúl Castro, algumas delas apresentadas na Assembleia Nacional na segunda-feira. Em comparação às mudanças já aprovadas (mais trabalhadores autônomos e propriedade de celulares) ou propostas (venda de carros e relaxamento das regras de emigração), “nada é tão grande quanto isso”, disse Philip Peters, um analista do Instituto Lexington.
As oportunidades de lucros e empréstimos seriam muito maiores do que as pequenas empresas de Cuba oferecem, dizem os especialistas, criando potencialmente as disparidades de riqueza que acompanharam a propriedade de imóveis em lugares como o Leste Europeu e a China.
Havana, em particular, pode estar prestes a voltar no tempo, para quando era uma cidade mais segregada por classe.
“Haverá uma reorganização imensa”, disse Mario Coyula, diretor de urbanismo e arquitetura de Havana nos anos 70 e 80. “Ocorrerá a valorização.”
Efeitos mais amplos poderão se seguir. As vendas encorajariam as reformas muito necessárias, criando empregos. O setor bancário expandiria porque, segundo as regras recém-anunciadas, os pagamentos viriam das contas dos compradores. Enquanto isso, o governo, que atualmente é dono de todos os imóveis, entregaria as casas e apartamentos para seus moradores em troca de impostos sobre as vendas –algo impossível no atual mercado de troca, onde o dinheiro é transferido às escondidas.
E há o papel dos emigrantes cubanos. Apesar de o plano parecer proibir a propriedade por estrangeiros, os cubanos-americanos poderiam tirar proveito das regras do governo Obama, que permitem que enviem quanto dinheiro quiserem para parentes na ilha, alimentando as compras e lhes dando uma participação no sucesso econômico de Cuba.
“Politicamente, este é um desenvolvimento extremamente poderoso”, disse Peters, argumentando que poderia provocar mudanças políticas em ambos os países.
A taxa de mudança, entretanto, provavelmente dependerá das complicações peculiares de Cuba. A chamada Pérola das Antilhas sofria com moradias pobres antes mesmo da revolução de 1959, mas a deterioração, as regras rígidas e gambiarras criativas criaram o atual amontoado de estranhezas.
Não há imóveis vagos em Havana, apontou Coyula, o planejador urbano. Toda moradia tem alguém morando nela. A maioria dos cubanos está basicamente presa onde está.
Na orla marítima no centro de Havana, as crianças espiam de prédios que deveriam ser condenados, com um terço da fachada faltando.
A poucas quadras no sentido do interior, cubanos como Elena Acea, 40 anos, subdividiram os apartamentos a proporções de Alice no País das Maravilhas. Seu imóvel de dois quartos agora tem quatro quartos, com um mezanino de compensado onde dois enteados moram um sobre o outro, mal capazes de ficarem em pé em seus próprios quartos.
Como muitos cubanos, ela espera se mudar –trocar seu apartamento por três lugares menores, para que seu filho mais velho, com 29 anos, possa começar sua própria família.
“Ele vai se casar”, ela disse. “Ele precisa se mudar.”
Mas apesar das garantias –na segunda-feira, Marino Murillo, o ministro da Economia, disse que a venda não precisará de aprovação prévia do governo– Acea e muitos vizinhos parecem desconfiados da promessa do governo de abrir mão. Alguns cubanos esperam regras forçando os compradores a manterem os imóveis por cinco ou 10 anos. Outros dizem que o governo dificultará para que os lucros saiam da ilha, por meio de impostos exorbitantes ou limites cambiais.
Outros, como Ernesto Benitez, um artista de 37 anos, não consegue imaginar um mercado realmente aberto.
“Eles vão estabelecer um preço, por metro quadrado, e pronto”, ele disse.
É claro, ele acrescentou, os cubanos responderiam estabelecendo seus próprios preços. E isso poderia ser suficiente para estimular um movimento, ele disse.
Ele certamente espera que sim. Benitez e a mulher com quem viveu por quase uma década se separaram há 18 meses. Cada um deles está agora namorando uma nova pessoa e há noites, eles reconhecem, em que a situação fica um tanto incômoda. Apenas um banheiro estreito separa seus quartos.
Katia Gonzalez, 48 anos, cujos pais passaram para ela o apartamento antes de morrerem (algo que Cuba permite), disse que consideraria vendê-lo por um preço justo. O quanto ela pensa que vale seu imóvel com dois quartos, a apenas duas quadras do oceano, no melhor bairro de Havana?
“Ah, US$ 25 mil”, ela disse. “Um pouco mais, talvez US$ 30 mil.”
Em Miami, um apartamento semelhante poderia custar quase 10 vezes mais do que isso –algo que muitos cubanos-americanos parecem estar pensando. José e vários outros corretores em Havana disseram que transações imobiliárias no mercado negro rotineiramente envolvem dinheiro dos cubanos no exterior, especialmente na Flórida.
“Há sempre dinheiro vindo de Miami”, disse Gerardo, um corretor que não quis que seu nome inteiro fosse citado. “O cubano em Miami compra uma casa para seu primo em Cuba, e quando ele vem passar o verão aqui por dois meses, ele fica hospedado naquela casa.”
Tecnicamente, isso é uma violação do embargo comercial iniciado sob o presidente Dwight D. Eisenhower. Segundo o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, negócios ou investimentos com cubanos são proibidos. Receber dinheiro ou lucro de Cuba também é ilegal.
Mas as regras são turvas na prática. Transações familiares –muitas envolvendo emigrantes recentes– parecem estar expandindo com um piscar da Casa Branca. O apoio aos negócios privados agora é encorajado segundo a licença geral que permite que cubanos-americanos visitem seus parentes, e em 2009, o presidente Barack Obama estabeleceu uma política permitindo que cubanos-americanos visitem a ilha sempre que quiserem e enviem remessas de dinheiro sem limites para parentes.
Além disso, a fiscalização contra indivíduos, diferente de empresas, é praticamente inexistente: nos últimos 18 meses, apenas um americano foi penalizado por violar as sanções, com uma multa de US$ 525, segundo um relatório do Congresso publicado no mês passado.
Os especialistas dizem que a diáspora cubana já começou a criar classes sociais em Cuba. Os emigrantes cubanos enviaram de volta ao país aproximadamente US$ 1 bilhão em remessas de dinheiro no ano passado, como mostram estudos, com uma proporção cada vez maior desse dinheiro financiando novos capitalistas que precisam de um forno de pizza ou outros equipamentos para trabalharem de modo privado. Os imóveis apenas expandirão isso, dizem os especialistas, e ofertas já estão chegando.
Ilda, 69 anos, mora sozinha em um apartamento com cinco quartos, no 9º andar, com vista para o mar. Neste mês, um casal cubano-americano em visita –“chique, bem vestido”, ela disse– fez uma oferta de US$ 150 mil pelo apartamento, sem se preocupar com qualquer proibição de propriedade de imóveis por estrangeiros.
“Eu disse a eles que não podia”, disse Ilda “Nós estamos aguardando pela lei.”
Mesmo quando a lei mudar, ela disse, ela preferiria uma “permuta”, porque isso lhe garantiria um lugar para morar.
O medo dela de não ter para onde ir é comum. Um recente estudo, de autoria de Sergio Diaz-Briquets, um especialista em demografia em Washington, apontou que Cuba tem um déficit de 1,6 milhão de moradias. O governo diz que o número é mais próximo de 500 mil, ainda assim um problema sério.
Coyula disse que o dinheiro das vendas pode não ser suficiente para consertar a situação, já que praticamente não há um setor de construção, processos para emissão de licenças ou materiais de construção.
Outros problemas também poderiam precisar ser revistos.
“Não acontecem despejos aqui desde 1939”, ele disse. “Há uma lei que os proíbe.”
Há também a questão de como compradores e vendedores se encontrarão. Classificados são ilegais em Cuba, o que explica o motivo de corretores como José passarem seus dias circulando em feiras ao ar livres com cadernos, anotando os apartamentos oferecidos e desejados.
Ele já tem dois funcionários, e quando a nova lei chegar, independente de seus serviços serem legalizados ou não, ele espera contratar mais.
“Nós precisamos de coordenação”, ele disse. “Isso virá.”

Tradução: George El Khouri Andolfato

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/2011/08/03/cubanos-se-preparam-para-guinada-na-direcao-do-capitalismo.jhtm

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Em depoimento, padre disse que tinha medo de se apaixonar por ex-coroinha

Monsenhor Luiz Marques deixa o Juizado nesta terça-feira, em Arapiraca

Monsenhor completa 60 anos de sacerdócio em meio a julgamento por pedofilia

Mariana Lima, enviada especial a Arapiraca

Quando o monsenhor Luiz Marques Barbosa, de 82 anos, chegou ao Juizado da Infância e da Juventude em Arapiraca, na manhã desta terça-feira, o iG lhe perguntou se ele imaginava que seria assim, no meio de um processo judicial por abuso e exploração sexual de menores, que ele comemoraria seus 60 anos de sacerdócio – celebrados no próximo dia 15.
“Minha filha, agora é só rezar, só rezar. Só peço que rezem”, foi a sua resposta. Depois a porta do gabinete do juiz foi fechada e começou o depoimento do seu ex-advogado, Daniel Fernandes, considerado testemunha-chave pela defesa.
Daniel Fernandes intermediou um acordo financeiro entre o padre e os ex-coroinhas Cícero Flávio Vieira Barbosa, Fabiano Ferreira da Silva e Anderson Farias da Silva, para que os rapazes não divulgassem um vídeo onde o religioso aparece fazendo sexo com Fabiano.
Houve até um inquérito policial para investigar a extorsão, arquivado após constatar que não houve crime, que foi o padre quem ofereceu dinheiro aos rapazes. Após o depoimento, foi solicitada uma diligência pelo atual advogado de defesa do monsenhor, Edson Maia, pedindo gravações que reforçam a tese da extorsão.
Luiz Marques foi o primeiro religioso a ser interrogado, às 14h30, e ficou na sala durante quase três horas. Respondeu a perguntas do juiz, do promotor, dos defensores públicos e de seu próprio advogado. Negou todas as acusações de abuso sexual, mas assumiu que tinha uma atração pelo ex-coroinha Fabiano Ferreira, dizendo, inclusive que tinha medo de se apaixonar pelo rapaz.
O Monsenhor afirmou, no depoimento, que Fabiano era atencioso e atendia bem os serviços da igreja como coroinha, mas o afeto que lhe dedicava era comum a todos os meninos e meninas que eram coroinhas. O rapaz nunca dormiu na Casa Paroquial ou na residência particular do padre, e que nunca houve abuso sexual contra ele, muito menos no altar, como alegado. Em suas palavras, “só se fosse uma pessoa anormal”.
Uma aproximação maior com o rapaz, no que se refere a abraços, só começou a partir de julho de 2007, quando Fabiano completou 18 anos e ganhou um relógio do monsenhor, “para que não chegasse atrasado nos seus compromissos”. Intimidade, mesmo, segundo Luiz Marques, só começou quando o rapaz colocou um filme pornô no computador para que os dois assistissem juntos.
O padre disse, então, que ficou com medo dele mesmo, medo de se apaixonar por Fabiano. Que no dia em que o vídeo foi gravado, o ex-coroinha tinha ido a sua casa com pretexto de olhar o computador. Quando ficaram sozinhos, Fabiano ligou para a “irmã” – na verdade, Cícero Flávio, que gravou o ato –, esperou alguns minutos e entrou no seu quarto completamente despido, jogando-se em cima dele. Os dois se abraçaram e aí o padre perdeu a cabeça.
Aquela teria sido sua primeira relação sexual, afirmou o padre durante o depoimento. Ele disse que sua consciência dói, porque tem um voto de castidade e que, por mais que isso não tire os impulsos carnais, procurava fugir deles através de orações, confissões e sacrifícios que aprendeu como seminarista.
Após o depoimento, Luiz Marques foi para casa – devido à regra da incomunicabilidade dos réus – acompanhado por alguns seguidores fiéis, conquistados durante os quase vinte anos em que ficou à frente da paróquia de São José. Estas pessoas acreditam na palavra do religioso: não houve abuso sexual, apenas um deslize, um pecado do homem, que só cabe a Deus julgar. São os mesmos seguidores que, desde o último dia 15 de julho, estão em uma roda de orações pelos seus 60 anos de sacerdócio e de apoio neste momento de provação que está passando.
Se considerado culpado, monsenhor Luiz Marques pode pegar de quatro a dez anos de prisão, segundo o promotor do caso. Como já tem mais de 80 anos, pode conseguir alguns benefícios baseado no Estatuto do Idoso, mas só terá direito a prisão domiciliar se comprovar ter algum problema de saúde. O veredicto será divulgado em setembro.
Além do processo criminal, ele também enfrenta um processo canônico, a ser julgado pelo Tribunal da Congregação para a Doutrina da Fé (entidade que evoluiu da Inquisição Medieval), no Vaticano, cuja pena pode chegar ao afastamento completo do estado clerical – a perda da batina.

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/em+depoimento+padre+disse+que+tinha+medo+de+se+apaixonar+por+excoroinha/n1597114473268.html

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Brasil administra sucesso em meio à “insanidade” global

Governo da presidente Dilma Rousseff precisa continuar atento para que não plante as sementes da próxima crise durante este atual período de prosperidade

Financial Times
Joe Leahy. em São Paulo

Os brasileiros, que antigamente estavam acostumados a crises econômicas, veem-se nos últimos meses na situação invejável de expectadores das imprudências do mundo desenvolvido.
Nas últimas semanas, os programas de entrevistas sobre questões atuais na televisão brasileira estão repletos de discussões sobre os problemas que varrem a Europa e os Estados Unidos, como o impasse em Washington quanto ao teto da dívida dos Estados Unidos, a crise financeira grega e o escândalo do jornal “News of the World” no Reino Unido.
Na semana passada, Dilma Rousseff, a presidente brasileira, pareceu resumir a maneira como os brasileiros veem um mundo externo enlouquecido, ao descrever as crises das dívidas nos Estados Unidos e na Europa como uma “insanidade”. A incapacidade política do mundo desenvolvido de encontrar soluções para os seus problemas, disse ela, representa uma “ameaça” à economia global.
O Brasil, que uma década atrás era um mercado emergente cheio de problemas, é atualmente um retrato de estabilidade política e macroeconômica quando comparado ao seu outrora dominante parceiro do norte e às antigas potências coloniais da Europa.
Atualmente, o Brasil, além de ser o quinto maior credor dos Estados Unidos, com reservas de moeda estrangeira de US$ 327 bilhões em junho último, tem também uma economia que cresce continuamente e um índice de desemprego incomumente baixo.
Mas, neste momento em que o mundo desenvolvido exibe tendências que antigamente eram associadas aos mercados emergentes, o desafio do Brasil é encontrar uma forma de administrar o seu sucesso. O país não pode mostrar-se complacente diante da tarefa difícil de sair da armadilha do nível de renda intermediário na qual a sua economia está presa há décadas.
O ponto de virada para a economia brasileira ocorreu na década de noventa, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso implementou uma série de políticas com o objetivo de estabilizar os preços ao consumidor e a taxa de câmbio.
O seu sucessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deu continuidade a este foco na estabilidade macroeconômica, e ao mesmo tempo ampliou os programas sociais para melhorar o padrão de vida dos indivíduos muito pobres.
Os resultados foram notáveis. O crescimento econômico médio do Brasil tem sido de 4% ao ano nos últimos oito anos, e quase 49 milhões de brasileiros foram alçados às classes média e alta.
O Brasil também se mostrou relativamente responsável ao lidar com desafios recentes. O seu sucesso econômico atraiu uma grande quantidade de dinheiro de mercados desenvolvidos estagnados, o que impulsionou para cima a taxa de câmbio da moeda brasileira, o real, em relação ao dólar, ameaçando a competitividade da indústria nacional.
O Brasil respondeu a isso com a chamada “guerra cambial” – uma série de medidas de controle de capital e do câmbio com o objetivo de conter a valorização do real. Mas o governo brasileiro tem resistido especialmente às pressões da indústria doméstica para tomar medidas extremas. Em vez disso, o governo tem imposto um sistema complexo de impostos com o objetivo de desencorajar os fluxos de investimentos especulativos, baseados em rendimento de curto prazo.
Na frente fiscal, Dilma Rousseff tem procurado conter uma onda de gastos iniciada durante as eleições federais do ano passado com a redução do tamanho do orçamento proposto para este ano.
O Banco Central também tomou a decisão politicamente difícil de aumentar ainda mais as já elevadas taxas de juros do Brasil em cinco ocasiões neste ano, para o patamar de 12,5%, a fim de conter a alta da inflação. Além disso, o banco tomou medidas com o objetivo de reduzir o rápido crescimento do crédito, que alguns analistas temem que seja insustentável.
No setor político, Dilma Rousseff tem atacado a corrupção no Ministério dos Transportes, demitindo autoridades ligadas a um parceiro de coalizão do seu Partido dos Trabalhadores. Os problemas políticos dela foram interpretados pela população como sendo a “limpeza de primavera” feita por uma nova presidente.
Nada disso significa que o Brasil não tenha os seus próprios problemas. Um mercado de trabalho apertado, um sistema educacional fraco e uma carência de trabalhadores qualificados estão impulsionando os salários para cima, ao mesmo tempo em que uma rede de infraestrutura muito deficiente faz com que aumentem os custos de produção no país.
Os níveis de endividamento domiciliar estão começando a dar a impressão de que são inviáveis para os consumidores que desfrutam das vantagens de um boom do crédito. O Brasil precisa ter cuidado para não soterrar a sua nova classe média sob uma dívida tão grande que, quando a nova crise econômica chegar, esses indivíduos venham a cair de volta na pobreza.
O custo dos negócios continua sendo proibitivo, em parte devido aos impostos elevados e aos custos da mão-de-obra. E, embora os preços das commodities tenham disparado, o volume das exportações não cresceu nesse ritmo. O Brasil tem basicamente utilizado essa explosão dos preços globais das commodities para aumentar o volume das suas importações.
O Brasil pode no momento se sentir orgulhoso, e com toda razão. Mas o país precisa continuar atento para que não plante as sementes da próxima crise durante este atual período de prosperidade.

Tradução: UOL

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/fintimes/2011/08/03/brasil-administra-sucesso-em-meio-a-insanidade-global.jhtm

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História de amor provoca reação violenta no Afeganistão

Rafi Mohammed, 17 anos, está em prisão juvenil em Herat, no Afeganistão, por ter tentado se casar com a namorada Halima Mohammedi

Romance entre adolescentes de etnias diferentes causa prisões, raiva e protestos em sociedade marcada por casamentos arranjados

The New York Times

Os dois adolescentes se conheceram dentro de uma fábrica de sorvetes em Herat, no Afeganistão. Quando os supervisores não estavam por perto, houve troca de olhares, cumprimentos murmurados e, finalmente, um número de telefone jogado discretamente no chão.
Era o começo de uma história de amor afegã que desrespeitaria as tradições dominantes de casamentos arranjados pela família, um romance entre dois adolescentes de diferentes etnias que testaria a tolerância de uma aldeia. Os resultados vieram com uma velocidade brutal.
Este mês, um grupo de homens avistou o casal passeando junto em um carro, mandou que parassem e começou a interrogar o menino e a menina. Por que eles estavam juntos? Que direito eles tinham? Uma multidão enfurecida de 300 pessoas se formou ao redor deles, chamando-os de adúlteros e exigindo que fossem apedrejados até a morte ou enforcados.
Quando as forças de segurança chegaram para resgatar o casal, a ira da multidão explodiu. Eles dominaram a polícia local, incendiaram carros e invadiram uma delegacia a 10 quilômetros do centro de Herat, levantando questões sobre a força da lei em uma das primeiras cidades nas quais o controle da segurança foi transferida das tropas americanas para as forças de segurança afegãs.
O motim, que durou horas, terminou com um homem morto, uma delegacia de polícia carbonizada e os dois adolescentes, Halima Mohammedi e seu namorado, Mohammed Rafi, confinados à prisão juvenil. Oficialmente, seus destinos estão nas mãos de um sistema legal instável. Mas eles enfrentam julgamentos ainda mais severos de suas famílias e da comunidade.
O tio de Mohammedi a visitou na prisão para dizer que ela havia envergonhado sua família e prometeu que iria matá-la quando fosse libertada. Seu pai, um operário analfabeto que trabalha no Irã, concordou tristemente. Ele chorou durante as duas visitas que fez à cadeia, nas quais não disse quase nada para sua filha. Sangue, segundo ele, talvez seja a única saída.
“O que pedimos é que o governo mate os dois”, disse o pai, Mohammed Kher.
Os adolescentes, envergonhados ao falar sobre amor, disseram claramente que estão prontos para morrer. Mas eles estão confusos sobre o motivo pelo qual deveriam ser executados.
Rafi Mohammed, que tem 17 anos, disse: “Me sinto tão mal. Só rezo para que Deus dê esta menina de volta para mim. Estou pronto para perder a minha vida. Só quero que ela seja libertada em segurança.”
Mohammedi, que acredita ter 17 anos, disse: “Somos todos humanos. Deus nos criou do pó. Por que não podemos casar ou nos amarmos?”
O caso ganhou repercussão em parte porque mexeu com a memória de um apedrejamento brutal ordenado pelo Taleban no verão passado no norte do Afeganistão.
Um jovem casal em Kunduz foi apedrejado até a morte por dezenas de pessoas – incluindo membros da sua família – depois de terem fugido. O apedrejamento marcou uma aplicação brutal da lei da Sharia e foi capturado em uma gravação de vídeo publicada na internet meses depois. Autoridades afegãs prometeram investigar o caso após um protesto internacional, mas ninguém foi detido.
Comparada ao caso de Kunduz, a resposta imediata à violência em Herat foi animadora. Clérigos se recusaram a condenar o casal. Policiais arriscaram suas vidas para levar os dois adolescentes e colocá-los nas mãos do sistema jurídico, ao invés de nas mãos de parentes irritados. E a polícia informou que cinco ou seis meninas tinham fugido da cidade com seus namorados e noivos na semana após o motim.
Depois de discutir o caso, o conselho provincial decidiu que Mohammed e Mohammedi mereciam proteção do governo porque nenhum deles estava noivo e porque disseram que queriam se casar.
“Eles não são criminosos, mesmo que tenham cometido atividades sexuais”, disse Abdul Zahir, líder do conselho.
Mas até agora suas palavras não libertaram nenhum dos adolescentes ou ofereceram a eles qualquer segurança a longo prazo.
Mohammedi foi inicialmente levada para o único abrigo para mulheres nesta província de mais de 1,5 milhão de pessoas, mas a polícia a transferiu rapidamente para o centro de detenção juvenil da cidade, um edifício antigo onde cerca de 40 meninas e 40 meninos dormem em dormitórios separados. A polícia disse ter informado o caso ao Ministério Público.
“Do ponto de vista deles, ela cometeu um crime”, disse Suraya Pakzad, diretora da Organização Vozes de Mulheres, um grupo de direitos humanos que ofereceu uma cama a Mohammedi por uma noite.
Pakzad disse que a maioria das mulheres e meninas nos abrigos do Afeganistão fugiram de casamentos forçados ou abusivos, ou foram banidas de suas comunidades por se encontrar com jovens sem a aprovação de suas famílias. Parentes do sexo masculino muitas vezes punem tais transgressões com espancamentos ou morte.
Em entrevistas separadas na prisão juvenil, Mohammedi e Mohammed disseram não ter se preocupado com essas coisas.
Ele não pensou na raiva provocada pelo fato de um jovem Tajik buscar uma menina em um bairro dominado por conservadores hazaras, membros de uma das muitas minorias étnicas do Afeganistão. “É o coração”, disse Mohammed. “Quando você ama alguém, não pergunta quem ela é ou o que ela é. Você vai em frente”.
Eles tinham muito em comum. O pai dele estava morto, assim como a mãe dela. Ambos descreveram o outro como calmo e educado, um pouco tímido. Eles gostam das mesmas canções melosas que chegam ao país pelo Irã.
Após seis anos de escola primária, Mohammedi queria estudar inglês e fazer aulas de informática, mas família lhe disse que seria um desperdício de tempo e a mandou trabalhar na fábrica de sorvetes, ganhando US$ 95 por mês.
Lá eles encontraram um ao outro. Mohammed passou um mês roubando saudações de Mohammedi até que ela lhe jogou o número de seu telefone a seus pés.
O casal falava todas as noites ao telefone, mesmo que a madrasta dela reprovasse. Depois de um ano, decidiram que estavam cansados de esconder seu relacionamento. Eles se encontrariam, iriam para o tribunal e se casariam. Mohammed convenceu um primo mais velho a levá-lo até a aldeia de Jabrail, onde ela estava esperando na praça da cidade.
Eles não tinham dirigido 30 metros quando um Toyota Corolla amarelo bloqueou seu caminho e homens irados desceram do carro. Mohammedi não ficou ferido na confusão que se seguiu, mas a multidão bateu no primo e em Mohammed até que eles caíssem.
“Nós sabíamos que eles iriam nos matar”, disse ela.
Eles agora passam os dias em extremidades opostas da mesma cadeia juvenil, longe um do outro. Mohammed cuida de ferimentos ainda visíveis em seu rosto inchado e Mohammedi tem frequentado aulas para aprender a fazer roupa sob medida.
Ambos dizem que querem ficar juntos, mas há complicações. Membros da família do homem morto no tumulto mandaram dizer a Mohammedi que ela carrega a culpa por sua morte. Mas ofereceram-lhe uma saída: case com um de seus outros filhos e sua dívida será paga.
Por Jack Healy

http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/nyt/historia+de+amor+provoca+reacao+violenta+no+afeganistao/n1597111312381.html

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PeTralhas e fisiológicos em ação: investigação do TCU revela descontrole de gastos da Agricultura

Dona Dilma (de vestido vermelho) e o enrolado ministro da Agricultura (de gravata amarela), o ilustre corrupto Wagner Rossi (PMDB) em Ribeirão Preto (SP), no dia 17/06/2011, durante Cerimônia de lançamento do Plano Agrícola e Pecuário 2011-2012.

Auditoria do tribunal diz que o ministério não fiscaliza adequadamente operações milionárias em seus órgãos
Pasta informou que está adotando desde meados de julho procedimentos para melhorar controle das despesas do setor

Breno Costa, de Brasília

Novo foco de acusações de corrupção no governo, o Ministério da Agricultura, comandado pelo PMDB, não exerce controle adequado sobre operações milionárias, abrindo brecha para desvios de verba, revela auditoria do Tribunal de Contas da União.
A investigação, aprovada em junho pelos ministros do tribunal, foi realizada no ministério e em órgãos a ele vinculados, como a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).
“[Verifica-se] a inexistência de uma sistemática efetiva de controles internos no ministério, o que se mostra temerário por tratar-se de um órgão que exerce a fiscalização de transações de grande valor econômico, com poderes de aplicação de multas, apreensão de mercadorias, interdição de estabelecimentos”, diz o relatório.
O ministério é comandado desde abril de 2010 por Wagner Rossi (PMDB-SP), indicado ao cargo pelo vice-presidente Michel Temer (PMDB).
Rossi, também por indicação de Temer, presidiu a Conab de junho de 2007 a março de 2010, antes de assumir o ministério. Ele também já havia sido responsável pela gestão do porto de Santos.
O ministério foi alvo recente de ataques do ex-diretor financeiro da Conab Oscar Jucá Neto, irmão do senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado.
Em entrevista à “Veja”, Jucá Neto diz que no ministério só há “bandidos” e insinua que Rossi tentou oferecer dinheiro para que ele ficasse calado após deixar o cargo.
Rossi diz que a acusação é infundada e decorre de sua demissão (leia texto na pág A6). Jucá Neto foi exonerado após a revelação de que ele ordenou o pagamento de R$ 8 milhões a um armazém em nome de laranjas.
O mais grave dos problemas apontados pelo TCU envolve as fiscalizações do ministério e da Conab. Cabe a eles fiscalizar estoques privados de alimentos, além de condições sanitárias e processos de importação e exportação de alimentos.
Dependendo da situação encontrada, os órgãos podem aplicar multas ou determinar outras sanções. Só neste ano foram arrecadados R$ 17,6 milhões em multas.
“A insipiência na área de controles internos do ministério é particularmente preocupante no que se refere a atividades de fiscalização, em que existe contato direto entre servidores do ministério e os fiscalizados”, diz o relatório da auditoria.
Outro problema ocorre nas liberações de créditos do Funcafé (Fundo de Defesa da Economia Cafeeira), que tinha R$ 2,1 bilhões de recursos para a safra 2010/2011.
Ainda hoje não há um sistema informatizado para controle das operações do fundo: tudo é feito manualmente, aponta o TCU.
Também foram constatadas falhas na emissão de laudos de perdas agrícolas, que servem de base para a liberação de pagamentos do seguro rural para produtores.

OUTRO LADO
Ministério diz que está em processo de melhorias do controle interno
DE BRASÍLIA
O Ministério da Agricultura informou, em nota, que o ministro Wagner Rossi já determinou “às áreas pertinentes a máxima atenção para o cumprimento das determinações do tribunal”, em relação à melhoria dos mecanismos de controle interno.
“Consta a implantação de ações de mapeamento e automação dos processos internos do ministério, e de rotinas de controle interno, que estão sendo executadas nas condições condizentes com o seu orçamento anual e a complexidade de seus processos”, diz a nota.
A determinação de providências consta de memorando assinado no último dia 13 de julho pelo secretário-executivo do ministério, Milton Elias Ortolan.
O documento, que reproduz o acórdão do TCU, foi enviado para nove órgãos do ministério. A Conab não está na lista de destinatários.
O ministério argumenta que a auditoria feita pelo TCU seguiu um procedimento de rotina e que, portanto, não teve como origem nenhuma acusação específica.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po0208201102.htm

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Por dia, 21 jovens são internados por uso de álcool e droga


Consumo de crack na Cracolândia, em São Paulo.

Os dados são nacionais. SP lançou hoje plano para reduzir consumo por jovens; no Rio já há internação forçada de menores de idade

Fernanda Aranda, iG São Paulo

A porta de entrada para a dependência química no Brasil acontece aos 13 anos. O início do consumo exagerado de entorpecentes acarreta outra estatística precoce à saúde do adolescente brasileiro. Entre janeiro e maio deste ano, todos os dias, 21 pessoas com menos de 19 anos foram internadas por transtornos mentais acarretados pelo abuso de álcool e drogas.
O levantamento, feito pelo iG Saúde no banco virtual de dados do Ministério da Saúde, mostra que este tipo de internação é crescente no País. Em dois anos, foi registrado um aumento de 29,5% nestas hospitalizações, passando de 2.426 casos nos primeiros cinco meses de 2009 para 3.142 registros em 2011. Os meninos são maioria com 75,6%, e a faixa etária mais vulnerável é a entre 15 e 19 anos.
Na tentativa de mudar o curso da dependência precoce brasileira, a prefeitura do Rio de Janeiro e o governo de São Paulo lançaram dois planos de ação que mudam a abordagem governamental.
No Estado paulista, o governo encaminhou nesta segunda-feira (1/8), um projeto de lei à Assembleia Legislativa – que ainda precisa ser aprovado pelos deputados para entrar em vigor – para aumentar o rigor de fiscalização em bares, restaurantes e outros tipos de comércios que vendem bebida alcoólica a menores de 18 anos. Pelo texto sugerido, o estabelecimento infrator pode receber multas de até R$ 87,2 mil, além de interdição por 30 dias e fechamento definitivo das portas.
Já no município carioca, a Secretaria Municipal de Assistência Social, desde maio, tem aval para internar adolescentes e crianças em situação de rua que são usuários crônicos de drogas, mesmo contra a vontade deles. Desde que o programa foi instalado, 84 meninos foram internados no regime de internação chamado de compulsório.
Enquete

Você concorda com a internação forçada de jovens dependentes de drogas?
Não, ninguém deveria ser internado contra a própria vontade
Sim, é a única forma de recuperar viciados em drogas
Depende. Cada caso deveria ser avaliado de forma individual
ou ver resultados
Cem vezes mais do que crack
Para Elisaldo Carilini, coordenador do Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), da Unifesp, a escolha de São Paulo para brigar contra o consumo de álcool é acertada.
“Não há dúvidas de que as bebidas alcoólicas são o principal problema de saúde pública na dependência química juvenil”, afirma.
Para justificar a afirmação veemente, Carlini recorre aos mais recentes dados – ainda não publicados – da pesquisa nacional feita pelo Cebrid, que colheu informações de 108 mil estudantes de escolas públicas e privadas de todo País: enquanto 60,5% dos pesquisados afirmaram já ter usado álcool na vida, 0,6% disseram ter experimentado crack.
“É uma diferença comparativa de quase cem vezes entre crack e álcool. Para começar a reverter estes números absurdos é preciso que o comerciante e a pessoa que frequenta o bar participe deste processo”, diz o pesquisador.
“O comerciante não vendendo a pinga ou cerveja ao menor de idade e, caso o faça, tendo a noção e a sensação de que será punido. E o frequentador do bar, contribui denunciando o estabelecimento caso testemunhe a venda inadequada.”
Cérebros auxiliares
O psiquiatra da Associação Brasileira de Estudo do Álcool e Outras Drogas (Abead), Sérgio de Paula Ramos, concorda que a punição mai severa aos comerciantes de São Paulo pode contribuir para reverter o curso da dependência instalada antes dos 18 anos.
“A neurociência já demonstrou que o cérebro demora 21 anos para amadurecer plenamente. A última parte a ficar pronta é a que controla a impulsividade”, diz Ramos.
“O beber precoce detona o percurso de amadurecimento cerebral. Se a pessoa tem o primeiro contato com o álcool aos 21 anos, o risco de tornar-se alcoolista é de 9%. Se o início é aos 13 de idade – a média de início ao acesso dos brasileiros ao álcool, conforme atestou uma pesquisa do Ibope feita no ano passado – a chance de virar um dependente é ampliada para 50%”, diz.
Para o pesquisador da Abead a internação compulsória dos que desenvolvem esta dependência – aos moldes do programa já em curso no Rio de Janeiro – é outra medida consistente.
“É preciso que o jovem conte com cérebros auxiliares já maduros, como o dos seus pais, professores, profissionais de saúde”, acredita Ramos.
“O recurso (da internação involuntária) é importante, pois facilita a ação do médico com este dependente. Hoje, para internar a pessoa dependente crônica é preciso aprovação do juiz. Tenho 37 anos de experiência com dependentes químicos e, até hoje, nunca recebi uma negativa judicial. Autorizar este trabalho do médico é facilitar o caminho.”
Trabalho em rede
No início de junho, a decisão da prefeitura do Rio de Janeiro de internar involuntariamente os meninos e meninas em situação de rua abriu polêmica entre especialistas no tema.
Seja com o consentimento ou não do dependente, os médicos e estudiosos da dependência química não discordam que a internação é a última alternativa no tratamento médico, que é preciso existir uma rede de ambulatórios que dê conta de atender os casos menos graves e que uma fiscalização efetiva do exercícios dos profissionais de saúde coibiria abusos de hospitalizações desnecessárias.
Para o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, é preciso mais do que apenas ampliar o número de serviços voltados ao usuário de álcool e drogas, seja ele de qualquer idade. Em entrevista ao iG, ele diz que atualmente “o tratamento da dependência química é uma dúvida no mundo todo. Todos os protocolos de tratamento, sejam farmacológicos ou não têm uma taxa relativa baixa de sucesso.”
“Acabamos de conversar sobre as novas diretrizes da política de enfrentamento de álcool e drogas. Temos de reorganizar os serviços de saúde para enfrentar essa situação. Precisamos ter uma rede que tenha serviços diferentes para situações diferentes. Qualquer proposta de organização do serviço que proponha um enfrentamento único está fadada ao fracasso.”
* Colaboraram Leoleli Camargo e Priscilla Borges

http://saude.ig.com.br/minhasaude/por+dia+21+jovens+sao+internados+por+uso+de+alcool+e+droga/n1597111606737.html

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